Crédito a habitação

Os bancos antecipam maiores restrições nas condições de concessão de crédito a particulares, no terceiro trimestre deste ano, tanto para compra de habitação como para consumo.

Segundo o ‘Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito’ divulgado esta terça-feira pelo Banco de Portugal, os cinco bancos incluídos na amostra esperam que a procura de crédito por parte de particulares se mantenha inalterada.

As novas regras do Banco de Portugal com restrições à concessão de novos empréstimos à habitação e ao consumo entraram em vigor no início de julho. As famílias só podem gastar metade do seu rendimento com empréstimos bancários. O aumento da procura e concessão de crédito a particulares tem levantado preocupações.

No segmento empresarial, dois bancos esperam um aumento da procura de empréstimos ou linhas de crédito no terceiro trimestre. Os bancos não esperam alterações nos critérios de concessão de crédito a empresas.

“De acordo com os resultados do inquérito de julho de 2018 aos cinco bancos incluídos na amostra portuguesa, os critérios de concessão de crédito ao setor privado não financeiro, no segundo trimestre de 2018, permaneceram praticamente inalterados face aos aplicados no primeiro trimestre do ano”, adianta o relatório do Banco de Portugal.

“Também os termos e condições que vigoraram neste trimestre se mantiveram, de um modo geral, estáveis, tanto para as empresas como para os particulares”, adianta.

Mas no crédito a particulares, dois bancos apontaram “um ligeiro aumento da procura de crédito para aquisição de habitação, tendo um dos bancos reportado uma evolução idêntica no segmento do crédito ao consumo e outros fins”.

“Neste trimestre, as alterações reportadas na procura de crédito foram transversalmente justificadas pelo nível geral das taxas de juro, destacando-se ainda, no segmento dos particulares, a melhoria da confiança dos consumidores”, diz o supervisor. Segundo os bancos, a diminuição dos spreads aplicados nos empréstimos de risco médio, foram sobretudo justificadas por pressões da concorrência e por uma avaliação mais favorável dos riscos. O setor tem levado a cabo políticas de redução do seu elevado stock de crédito malparado. Segundo o Banco de Portugal, nos últimos seis meses, três bancos consideraram que o rácio de crédito malparado no setor não teve impacto nos critérios, termos e condições aplicados na concessão de crédito ao setor privado não financeiro. Mas dois bancos “consideraram que contribuiu ligeiramente para os tornar mais restritivos”.